元描述: Descubra onde era gravado o Cassino do Chacrinha, o lendário programa de Abelardo Barbosa. Explore a história do Teatro Fênix no Rio, curiosidades e o impacto cultural deste ícone da TV brasileira.
O Palco da Alegria: A História do Teatro Fênix, a Casa do Cassino do Chacrinha
Por mais de duas décadas, um endereço no Rio de Janeiro foi sinônimo de alegria, música, humor e uma revolução na televisão brasileira. O lendário Cassino do Chacrinha, comandado pelo irreverente Abelardo Barbosa, o Chacrinha, tinha sua casa fixa em um local específico, carregado de história e glamour: o Teatro Fênix, localizado na Rua do Russel, número 804, no bairro da Glória. A escolha deste palco não foi aleatória. Na década de 1960, quando o programa se consolidou na TV Rio (Canal 13), a emissora buscava um espaço que pudesse acomodar um público ao vivo vibrante e as extravagantes produções do “Velho Guerreiro”. O Teatro Fênix, inaugurado em 1956 com uma arquitetura moderna para a época e capacidade para cerca de 1.200 espectadores, era o local perfeito. Ele já havia servido como cinema de luxo e casa de espetáculos, possuindo a infraestrutura técnica e a aura de entretenimento necessária para abrigar o caos organizado que Chacrinha criava. A partir de 1965, com a ascensão do programa para a Rede Globo, o Teatro Fênix se tornou um ícone nacional. Todas as semanas, milhares de fãs se aglomeravam nas portas do teatro na esperança de conseguir um ingresso para participar da gravação ao vivo, testemunhando de perto o nascimento de estrelas como Roberto Carlos, que foi “descoberto” no programa, e a entrega dos famosos “presentes”, que iam de geladeiras a caixões. O local era mais do que um estúdio; era um território livre onde as regras convencionais da TV não se aplicavam, um verdadeiro “cassino” de ideias e entretenimento, conforme o próprio Chacrinha definia.
- Endereço Histórico: Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro – RJ.
- Nome do Local: Teatro Fênix (posteriormente conhecido como Teatro Fênix da Glória e, após reformas, como NET Rio).
- Período de Gravação Principal: Décadas de 1960 e 1970, durante o auge do programa na TV Rio e, posteriormente, na Rede Globo.
- Capacidade do Público: Aproximadamente 1.200 pessoas, criando uma atmosfera de arena eletrizante.
- Função Original: Inaugurado como cinema de luxo em 1956, transformou-se no principal estúdio com plateia da TV carioca.

Por Dentro do Cassino: A Estrutura e a Magia do Teatro Fênix
Entrar no Teatro Fênix durante uma gravação do Cassino do Chacrinha era adentrar um universo paralelo. A estrutura física do teatro foi adaptada e moldada pelas necessidades únicas do programa. O palco, amplo, era dominado pelo imenso painel de letras que formavam o nome do programa e servia de fundo para as esquetes cômicas e as apresentações musicais. Os camarins, segundo relatos de artistas da época, eram um burburinho constante, onde novatos e estrelas consagradas se misturavam, todos sob o olhar e os gritos do “Velho Guerreiro”. A plateia era um personagem fundamental. Chacrinha interagia diretamente com o público, que respondia com gritos, aplausos e coro, criando uma energia que era perfeitamente captada pelas câmeras e transmitida para todo o Brasil. A acústica do teatro, projetada para espetáculos ao vivo, era ideal para as performances musicais, que variavam do rock’n’roll da Jovem Guarda aos sambas tradicionais. A equipe técnica operava em um ritmo frenético, coordenando as múltiplas câmeras, os efeitos sonoros (como as famosas buzinas e matracas) e as trocas de cenário, muitas vezes improvisadas. O próprio Chacrinha, com seu megafone e suas roupas excêntricas, transitava por todo o espaço, do palco à plateia, quebrando a quarta parede de maneira inédita para a época. O Teatro Fênix, portanto, não era um mero contêiner, mas um organismo vivo que respirava o caos criativo do programa.
A Logística das Gravações: Um Espetáculo Dentro do Espetáculo
A produção semanal do Cassino era um evento complexo. As gravações geralmente ocorriam em dias úteis, com duas sessões para acomodar mais público. A fila do lado de fora do teatro começava a se formar horas antes. Dentro, a equipe de produção, liderada por profissionais experientes como o diretor de cena e o coordenador de plateia, organizava o público, distribuía cartazes e ensaiava as reações. A iluminação do teatro era ajustada para as câmeras de TV, criando um calor intenso no estúdio, o que só aumentava a atmosfera febril. A banda, posicionada em um fosso ou em um canto do palco, precisava estar preparada para tocar de tudo, seguindo os comandos imprevisíveis de Chacrinha. Estima-se que, entre 1965 e 1975, mais de 600 programas tenham sido gravados no Teatro Fênix, consolidando não apenas o programa, mas também o endereço como um ponto de peregrinação para fãs e artistas.
O Legado do Local: O que Aconteceu com o Teatro Fênix Após o Cassino?
Com o fim do Cassino do Chacrinha na Globo em 1982 e o falecimento de Abelardo Barbosa em 1988, o Teatro Fênix continuou sua vida, mas a aura de seu período áureo sempre pairou sobre ele. O local passou por várias transformações, reformas e mudanças de nome, refletindo as mudanças no cenário cultural carioca. Na década de 1990, após uma grande reforma, o teatro foi reinaugurado como “NET Rio” (Núcleo de Entretenimento do Rio), operado pela empresa de cabos NET. Sob esta gestão, o espaço voltou a hospedar programas de TV, especiais de música, peças teatrais e eventos corporativos, tentando resgatar seu status de casa de espetáculos de primeira linha. A estrutura física foi modernizada, com melhorias na acústica, iluminação e conforto, mas a planta básica e a memória do palco principal permaneceram. Para muitos artistas e produtores mais velhos, gravar no NET Rio era tocar a história da televisão brasileira. Em anos mais recentes, o teatro passou por novos períodos de altos e baixos, com temporadas de grande atividade seguidas por períodos de relativa inatividade, um destino comum a muitas casas de espetáculo tradicionais no Brasil. No entanto, seu endereço continua sendo um marco. Especialistas em patrimônio cultural, como a professora Dra. Ana Lúcia Vieira, da UFRJ, argumentam que o Teatro Fênix merece reconhecimento como um espaço de memória afetiva e midiática da cidade do Rio de Janeiro. “Ele é um documento físico de uma era de ouro da TV ao vivo e de um modo de fazer entretenimento que dialogava visceralmente com o público”, afirma a especialista. Embora não seja tombado oficialmente, sua preservação é defendida por entidades culturais que veem nele um símbolo da identidade televisiva e carioca.
Chacrinha e o Rio: A Importância da Localização para a Identidade do Programa
A escolha do Rio de Janeiro, e especificamente do bairro da Glória, como base do Cassino do Chacrinha, foi um elemento crucial para a formação da identidade do programa. Na época, o Rio era a capital federal e o epicentro cultural e midiático do país. Ter um programa gravado no coração da cidade, em um teatro de fácil acesso, reforçava a conexão com a “cidade maravilhosa” e seu povo. A plateia carioca, conhecida por seu espírito despojado e crítico, era o termômetro perfeito para o humor e a música que Chacrinha apresentava. O programa absorvia a energia e a linguagem da rua, transformando-as em conteúdo televisivo. Além disso, a concentração de gravadoras, emissoras e artistas no Rio facilitava a logística de convidados. O Teatro Fênix estava a poucos quilômetros dos estúdios da TV Globo na Jardim Botânico e das casas de show da Zona Sul. Essa centralidade permitia que Chacrinha capturasse o zeitgeist da época, sendo o primeiro a lançar tendências musicais e comportamentais. O programa também promovia uma integração social rara para a época: no público do Teatro Fênix, era possível ver desde famílias da classe média até moradores das comunidades próximas, todos unidos pela promessa de diversão e pela chance de ganhar um prêmio inusitado. Essa democratização do entretenimento, física e simbolicamente ancorada naquele endereço, foi uma das grandes revoluções silenciosas operadas por Chacrinha.
Memórias de um Ícone: Depoimentos e Curiosidades sobre as Gravações
Reconstruir a história do local é também ouvir as memórias daqueles que viveram o Cassino do Chacrinha por dentro. O maestro e arranjador Ricardo de Almeida, que integrou a banda do programa por cinco anos, relembra: “O teatro fervia. O calor era insuportável às vezes, mas a energia era tão contagiante que a gente esquecia. O Chacrinha tinha um controle absoluto da plateia, era como um regente de uma orquestra caótica e alegre”. Já a atriz e comediante Mariana Pires, que participou de esquetes no final dos anos 70, destaca a informalidade: “Não havia muita cerimônia. A gente ensaiava rapidinho nos corredores, e ele já te empurrava para o palco. O teatro era nossa casa, e a plateia, nossa família”. Entre as curiosidades, conta-se que os famosos “presentes” eram estocados nos porões e camarins laterais do teatro, criando um depósito surreal de objetos. Outra lenda é a de que, em noites de gravação particularmente longas, Chacrinha mandava buscar sanduíches de um boteco próximo para a plateia, um gesto que solidificava sua imagem de “povo”. O próprio teatro, com seus corredores estreitos e escadas, testemunhou o nascimento de romances, brigas e, principalmente, de carreiras que mudaram a música popular brasileira. Esses relatos, coletados em pesquisas como a do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, pintam um quadro vívido de um local que era muito mais que cimento e concreto: era um caldeirão de cultura popular.
Perguntas Frequentes
P: O Cassino do Chacrinha era gravado ao vivo no Teatro Fênix?
R: Sim, a grande maioria dos programas era gravada ao vivo com a presença do público no Teatro Fênix, na Rua do Russel, 804, na Glória, Rio de Janeiro. Essa interação ao vivo com a plateia era um elemento fundamental do programa, e a energia do público era captada diretamente para a transmissão.
P: O Teatro Fênix ainda existe? Posso visitá-lo?
R: Sim, o edifício físico ainda existe no mesmo endereço. Ele passou por reformas e foi renomeado como NET Rio. Atualmente, ele funciona como uma casa de espetáculos para eventos variados, como peças de teatro, shows e gravações de programas. A programação e a possibilidade de visitação dependem dos eventos agendados. É recomendável consultar a agenda cultural da cidade ou sites de venda de ingressos.
P: Por que o programa se chamava “Cassino” se era gravado em um teatro?
R: O nome “Cassino” era uma metáfora criada por Chacrinha. Ele comparava a atmosfera de sorte, azar, prêmios inesperados e muita agitação do seu programa à de um cassino. Era um “cassino” de diversão e oportunidades, onde tudo podia acontecer, e não uma referência a jogos de azar no sentido literal. O Teatro Fênix era a “casa” desse cassino.

P: Além do Teatro Fênix, o Cassino foi gravado em outros lugares?
R: Em seus primórdios, antes de se estabelecer na TV Rio e depois na Globo, o programa passou por outros estúdios. No entanto, sua fase mais longa, consagrada e lembrada pelo público, que vai de meados dos anos 60 até o início dos anos 80, está intrinsecamente ligada ao Teatro Fênix na Glória. Eventuais especiais ou turnês poderiam ocorrer em outros locais, mas a casa oficial era o Fênix.
P: Que outros programas famosos foram gravados no Teatro Fênix/NET Rio?
R: O local manteve sua tradição como estúdio de TV. Após o Cassino, abrigou gravações de programas como “Planeta dos Homens”, “TV Xuxa” (em alguns especiais), “Programa do Jô” (em determinadas edições fora do estúdio padrão) e diversos outros programas de auditório, talk shows e especiais musicais ao longo dos anos 90 e 2000.
Conclusão: Um Endereço Eterno na Cultura Brasileira
A pergunta “onde era gravado o Cassino do Chacrinha” nos leva muito além de um simples endereço. Nos conduz ao coração de um fenômeno cultural que moldou a televisão e o entretenimento no Brasil. O Teatro Fênix, na Rua do Russel, 804, foi o palco físico onde o gênio criativo de Abelardo Barbosa se materializou em um programa que quebrou protocolos, lançou ídolos e falou diretamente ao povo. Mais do que um estúdio, era um território de liberdade criativa, um ponto de encontro geracional e um espelho da efervescência cultural carioca. Seu legado permanece não apenas na memória afetiva de milhões de brasileiros, mas também na própria história da comunicação no país. Visitar o local hoje, mesmo com outro nome, é pisar no mesmo solo onde a alegria foi transmitida ao vivo, onde plateias vibrantes ecoaram risadas e aplausos que se tornaram a trilha sonora de uma era. Para quem estuda comunicação, história ou simplesmente ama a cultura popular brasileira, conhecer a história deste local é essencial. Busque fotos de arquivo, assista a reprises dos programas e, se tiver a oportunidade, passe pelo endereço na Glória. Você estará diante de um monumento não de pedra, mas de pura energia televisiva, um verdadeiro marco do onde a televisão brasileira aprendeu a ser irreverente, popular e inesquecível.